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Falta de tempo ou questão de prioridade?

Por Andréa Menezes

Cheguei correndo na casa de uma amiga onde havíamos marcado um cafezinho com mais outras amigas.  A conversa já estava rolando entre todas quando reclamei: “menina, nem tive tempo para ir à manicure esta semana”.  A resposta da minha amiga me surpreendeu. Sem nem me olhar direito disse: “não teve tempo, não! Não foi prioridade.”  Eu distraidamente (ou em negação) reafirmei: “Não! Você não está entendendo! Não tive tempo mesmo!!!” Minha amiga que estava meio que de lado para mim, endireitou-se, voltou o corpo para mim e me disse firme: “a questão não é que você não teve tempo, você escolheu fazer outra coisa em vez de ir fazer as unhas, não foi? Então, foi questão de prioridade. Você priorizou outra coisa.”  Bom, fiquei sem argumentos. Terminei o assunto com um “é…você tem razão…”

Este pequeno dialogo ficou por muito tempo na minha cabeça naquela semana e me fez questionar os muitos compromissos da minha agenda.  Qual era o critério que usava para minha lista de prioridades? Olhando honestamente, minha lista parecia estar invertida.  As coisas com as quais eu dizia me importar estavam no final.  Dizer “não tive tempo para…” era a maneira sutil que usava para me consolar e aliviar o peso da consciência.

É fácil encontrar na internet textos que falam sobre as coisas que realmente importam na vida.  E uma simples e rápida olhada revela algo interessante: eles têm muito em comum.  Ressaltam coisas como a saúde, a família, os amigos, o amor, a fé, os projetos/sonhos.  E a maioria das pessoas concordam que essas são coisas realmente importantes. Contudo, não estão no topo de nossa lista de prioridades.  Comumente escuto pessoas dizerem que não têm tempo de ir ao médico, de fazer exercícios, de ligar para alguém, ou de sair com os amigos.  Então penso: qual é a prioridade?  Como alguém pode não ter tempo de ir ao médico? O que pode ser mais importante que a sua saúde? Dá para realizar todas as outras tarefas de nossa lista quando estamos doentes?  Não ter tempo para se exercitar também é outra contradição quando comparado as horas gastas nas redes sociais, nos games, na netflix, no celular e na frente da TV.

Você se pega sempre dizendo: “Estou tão ocupado!”, ou “Tenho muitas coisas pra fazer!”, ou ainda “Não tenho tempo para isto!”?  Examine sua agenda, veja o que você faz, em que você participa, onde você vai e faça a pergunta: para que eu faço tudo o que faço?  Cuidado! Ficar ocupado é uma droga que vicia muita gente!  Passamos a fazer da ocupação nossa “cocaína”.  Não sabemos nem mais explicar o porquê vivemos assim. E a maioria de nós quando questionados sobre isto comumente nos referimos as coisas materiais.  Fazemos o que fazemos para pagar a prestação do carro, para ter mais internet, comprar algo, ser promovido, ostentar, etc.   Sei que a busca de recursos econômicos também corresponde às nossas necessidades, o negativo é inverter os valores e descobrir mais tarde que muito tempo foi perdido nisto.

Precisamos examinar o ritmo da nossa vida se pretendemos realmente priorizar o que importa.  Será que as coisas que realmente importam encontram espaço em nossa agenda? O Doutor Lair Ribeiro já disse que “aquele que não tem tempo pra cuidar da saúde vai ter que arrumar tempo pra cuidar da doença”.  Não se engane! Inverter a lista de prioridades tem o seu preço.  E a cobrança sempre vem! É a amizade perdida, o relacionamento acabado, o abandono dos filhos, a insatisfação inexplicada, o pânico, a ansiedade generalizada.  E a gente simplesmente segue; se enchendo de coisas, ocupando ainda mais o tempo. E assim, não arrumamos tempo pra pensar, refletir, mudar.  Somos muito bons para arrumar desculpas. E de fato, muitas destas coisas que priorizamos são boas.  Mas é bom lembrar que nem tudo que é bom, faz bem.  Como disse Anthony D’Angelo, “as coisas mais importantes na vida não são as coisas”.

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