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Jogos Sexuais Infantis

Por Andréa Menezes

É bem provável que muitos pais e educadores ao observarem a sexualidade vivida pela criança se perguntem quais brincadeiras sexuais devem ser consideradas normais na infância e o que devem fazer ao presenciá-las.

Talvez muitos de nós tenhamos dificuldades de admitir, mas a sexualidade infantil é vivida por todos de uma forma muito prazerosa. Quando somos crianças estamos descobrindo o nosso corpo e satisfazendo nossas curiosidades, ao mesmo tempo vamos descobrindo o prazer fisiológico correspondente.  As crianças tocam os genitais porque estão explorando o corpo, como isso causa prazer – sensação agradável – elas repetem.  As brincadeiras sexuais fazem parte do desenvolvimento da sexualidade do indivíduo.

Não devemos classificar os sentimentos da criança como erótico ou sexual, elas ainda nem sabem o que é isso! A psicóloga e sexóloga Verônica Gusmão esclarece que o apetite sexual está relacionado a ações hormonais e psíquicas que ainda não fazem parte do momento da criança. É muito normal que as crianças realizem brincadeiras sexuais na infância. Toda criança faz! Muitas dessas brincadeiras são normais e naturais.

A partir dos seis, sete anos começa um período de forte identificação sexual e uma separação entre meninos e meninas.  Aqui, além de se tocarem as crianças também trocam experiências com outras crianças como nas brincadeiras de “papai e mamãe” ou “mostra o teu que eu mostro o meu”.  Numa situação como esta a atitude dos pais é de grande importância. A maneira como os pais reagem a o que esta acontecendo vai fazer parte do primeiro aprendizado sexual da criança.  Em vez de responder de forma inadequada, assustando e ameaçando a criança, aproveite a situação para começar a ensinar noções de privacidade.  Nunca devemos exercer uma atitude de castigo tipo: “vou cortar seu piu-piu”; “Não ponha a mão ai!!!”; “Isso é feio, isso é sujo…”  A Criança começa a se dar conta das atitudes de aprovação ou desaprovação dos pais em relação as brincadeiras sexuais, e podem ficar confusas com os pais que excluem a região das genitais na conscientização do corpo.

A descoberta da sexualidade deve ser algo natural. Os pais não devem estimular os jogos sexuais infantis, tão pouco devem coibi-lo.  Uma boa saída é desviar a atenção da criança para outra coisa.  Normalmente as brincadeiras sexuais infantis saudáveis são caracterizadas por: ser algo espontâneo; por acontecer de forma esporádica e entre crianças de idades iguais ou próximas; não existe coação de nenhuma das partes e é motivada pela curiosidade, exploração do corpo ou por tédio.

Do ponto de vista psicológico não há, em circunstâncias normais, perigo nos jogos sexuais infantis.  Pelo contrário, elas podem ser uma experiência psicossocial valiosa em termos de desenvolvimento.  O que pode causar danos psicológicos é a reação dos pais.

Devemos considerar pelo menos três circunstâncias antes de afirmar que há uma situação de abuso sexual em relação aos jogos sexuais infantis:

  1. A falta de consentimento – quando falamos de consentimento falamos da consciência do fato e da resistência a ele.
  2. A falta de igualdade – pode ser de idade, tamanho ou peso entre abusado e abusador; considerando uma diferença de idade mínima de 4 anos.
  3.  Coação – há pressão de uma criança sobre a outra? Ameaças, suborno, uso de autoridade, manipulação?

Finalmente, as brincadeiras sexuais infantis podem ser vistas como anormais quando: acontecem de forma planejada; gera medo, ansiedade, confusão; acontece de forma contínua, com amigos de idades muito distantes ou adultos; quando é realizado baixo ameaça, engano, manipulação ou quando é motivado pelo isolamento, pela solidão ou ansiedade vivenciados pela criança.

Crianças são curiosas por natureza. Precisamos entender que as brincadeiras sexuais infantis são uma etapa normal da vida, cabível neste momento da criança.   Assim como a infância, as brincadeiras sexuais são por um breve tempo.  Quando essa curiosidade se transforma em fixação pode ser um indicativo de que, por algum motivo (abandono, rejeição, solidão, abuso) a estimulação sexual se tornou um refugio.

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